segunda-feira, abril 04, 2011

É você?

Você acha que existe algum controle? Na sua vida? Acha mesmo? Você controlou o fato básico de você ter nascido? Sabe exatamente, em detalhes, e escolheu o momento e a maneira precisa de como você vai morrer? Você controla seu coração que bate dia e noite? Controla os pensamentos fulminantes que te atacam as moralidades tão bem estabelecidas? Você acredita que tem o controle de todos os seus músculos, da direção de seus olhares? Você controla os outros ao seu redor ou precisa fazer uma chantagem? Foi você quem decidiu sua raça? Você dorme quando quer, acorda quando bem entende? Acredita mesmo que tudo o que tem aí dentro é seu única e exclusivamente? Acredita que domina com propriedade suas opiniões, suas convicções? Você controla o tempo, senhor do Tempo, não caiu aquela chuva? Controla os sinais de trânsito, as notas promissórias, o almoço de cada dia? Aquele chute em direção ao gol, a bola relou na trave, foi calculado? É possível você acreditar que você controla a sua conta corrente, mesmo em tempos de inflação? Acha mesmo que controla o que seus filhos veem na televisão, quais suas companhias? Você controla suas decisões, tem plena consciência delas? Você controla a direção do seu carro ou aquilo foi tentativa de suicídio? Você se joga da janela e não morre mas estraçalha suas pernas, seu tronco, seus movimentos e joga a responsabilidade nas costas de deus? Você reza e domina com rigor as contas do rosário que vai passando dedo a dedo e escorregando das suas mãos enrugadas? Escolheu o lugar onde nasceu, sua língua, usos e costumes? Você controla o país que você governa com suas multidões inabaláveis e comissões julgadoras? A gravidade ainda é maior ou seu foguete chega nas estrelas, pequeno grande astronauta? Você escolhe quem levar pra cama, ou a cama rejeita os mais ousados? Você controla quantos cigarros fuma por dia? Controla o momento o dia do parto, o espermatozoide da concepção? Quem nos condenou a epidemia de malária, a febre amarela, foi você?

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segunda-feira, novembro 29, 2010

incredulidade

TRÁFICO DE DROGAS E pra quem não acreditava, choveu canivete durante esses dias no Rio de Janeiro.

Fica agora a crise pro sobe e desce das drogas na bolsa de valores.

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terça-feira, dezembro 08, 2009

por trás dos tapumes obreiros

GESTÃO DEMO-TUCANA Hoje a chuva não parou. Quem parou foi a cidade de São Paulo. Uma chuva que começou ontem por volta das 18h da tarde e que dura ininterrupta até às 8 hora de hoje. A marginal do rio Tietê está completamente alagada, nenhum carro vai, nenhum carro vem. Ninguém consegue chegar em seu destino.

Eu pergunto e nomeio: onde está o governador do Estado José Serra? Onde está o prefeito da cidade Gilberto Kassab? Eu respondo: escondido atrás dos tapumes obreiros da imprensa brasileira, que quer, a todo custo, construir uma imagem de primeiro mundo do Brasil, especialmente de São Paulo. As políticas públicas da gestão demo-tucana em São Paulo são, repito, vergonhosamente irresponsáveis.

Nos tempos da Marta, seu nome era manchete. Era a "Martaxa", o "túnel da Marta" e outros tantos causos sempre associados à imagem pessoal da ex-prefeita, que também teve seus surtos de irresponsabilidade. No entanto, qual é o veículo de comunicação que associará os nomes de José Serra e de Gilberto Kassab aos erros crassos de governo desses dois? Quem associou o nome do Serra ao buraco do metrô? Quem associou seu nome ao desastre do Rodoanel? Quem associa seu nome aos sucetíveis alagamentos que vêm ocorrendo há um mês na cidade? Quem associa seu nome ao fracasso das novas pistas na Marginal Tietê? Quem associa seu nome à entrega da estúpida e faraônica Ponte Estaiada que não é nada senão uma gastação inútil de dinheiro numa obra que nem resolve problemas nem é significativa? Quem associa seu nome às ações autoritárias e desenfreadas da Polícia Militar contra minorias no Estado?

A imprensa resiste no seu projeto eleitoreiro de privilégio para poucos. E o Presidente!?... Ah, esse continua pinguço e analfabeto. (E, claro, responsável pelo Apagão.)

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terça-feira, novembro 17, 2009

a máquina, o macaco e a relatividade

[ADVERTÊNCIA: Não tenho certeza de nenhuma das palavras escritas aqui. Quero críticas, xingamentos. Talvez nunca tenha escrito um texto tão sem sentido. Ou com tanto sentido. Talvez nunca tenha escrito um texto tão ambicioso. Ou tão ingênuo. Talvez nunca tenha entendido tão bem o resto do mundo. Ou eu mesmo. Talvez nunca tenha dito tanto. Ou tão pouco.]

PÓS-MODERNIDADE "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus e o Verbo era Deus." (JOÃ 1,1) Mas não vamos nos ater ao princípio, mas ao meio. De repende eis que surge um homem que é filho de deus e que é o primeiro homem. E o filho de deus prega o amor e a compaixão. E esse homem, depois de morto-ressucito, destrói um império. Depois surgem uns outros homens que dizem que a Terra é redonda, que a Terra gira em torno do Sol, que a Terra é o centro do universo. Vem um outro homem e diz que a Terra não é o centro do universo. Aí os homens descobrem a máquina e a máquina vira deus e a máquina é o centro do homem. E depois vem um homem que diz que o homem não vem de deus, massim do macaco. E então o macaco e a máquina são deus. O último homem que resta, que é gênio - não é homem -, diz que, então, tudo é relativo. As árvores, então, se movem. O Sol, então, gira em torno da Terra. O tempo, então, muda quando há movimento. Então o gênio disse: "Faça-se a relatividade!" E a relatividade foi feita. E o gênio viu que a relatividade era boa. Então a máquina, o macaco e a relatividade eram deus. No final era a máquina, o macaco e a relatividade. E a máquina, o macaco e a relatividade estavam junto do homem. E a máquina, o macaco e a relatividade eram o homem.

***

Mas e o agora? A gente debocha falando da "pós-contemporaneidade", "da sociedade pós-moderna". Mas e quando paramos pra tentar entender e dar significado a esses termos, a que conclusão chegamos? Normalmente à clássica "definir é limitar" ou à aceitação de todas as doutrinas, ou ao, não menos clássico, "o ponto de vista define o objeto". Independente de qual das três, todas fogem das respostas.

Se aquilo que é "moderno" é, toscamente, a reunião das produções humanas pós segunda revolução industrial, que abarca especialmente o final do século XVIII até a década de 70 do século passado, o depois-disso é mistério, é névoa, é virtual.

O pós-moderno, como não poderia deixar de ser, é o que vem depois do moderno. E o moderno tem três pilares fundamentais: a máquina, o macaco e a relatividade. E todos eles têm a ciência como base fundamental. A máquina responde o "para onde vamos", o macaco responde o "de onde viemos", a relatividade responde o "o que somos". E, assim, num passe de mágica, o homem tem a explicação técnico-científica perfeita para todas as questões impostas pelo racionalismo que rege a sociedade ocidental desde o Renascimento.

(Ambiciosa, a afirmação.)

Nietzsche matou deus, coitado. Para tentar devolver a mágica inexplicável e redentora do mundo - detonada pelo avanço científico e pelo fim do rito e dos dogmas religiosos -, a modernidade tenta dar à arte um tom divino, dionisíaco (exemplificado perfeitamente pelo primitivismo de Picasso, de Schönberg, de Oswald de Andrade e de Brecht). A pós-modernindade, na contramão desse movimento, está saturada de racionalidade e tenta pelo fim do conceito de "distância" redimensionar os conceitos de espaço e tempo.

A distância acabou e, junto com ela, foi embora a racionalidade. Pensar o mundo não faz mais sentido se o mundo já foi anteriormente pensado e se toda essa bagagem está prêt-à-porter na rapidez de um clique. A compreensão do tempo também se transformou. Deixou de ser um tempo cronológico, retilíneo, para ser um tempo simultâneo. E essas duas transformações básicas convergem para outras duas novidades: a aceitação da futilidade e da embriaguez.

Por "aceitação da futilidade" entenda a desvontade que paira sobre os pós-modernos. A aceitação da futilidade é não dar mais valor àquilo que é racional, que é compreensível. É aceitar as coisas como são, com uma passividade surda. Um exemplo disso é a relutância que as pessoas têm de entender as coisas. Ninguém mais quer entender. Ninguém mais quer questionar. As coisas, para os pós-modernos, estão bem como estão. Apatia.

A "aceitação da embriaguez" é a massificação estrondosa do uso de narcóticos. O uso de substâncias entorpecentes nunca foi tão disseminado e, pasme, tão aceito.

Não está aqui declarado o fim da ciência. Nem o fim da religião. Mas a saturação da racionalidade e suas consequências mais diretas. Pelo menos aquelas que pude observar. Em mim e nos outros.

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domingo, agosto 30, 2009

a esparrela do Ctrl+C, Ctrl+V

IMPRENSA VIRTUAL É o tempo da popularização da informação midiática e jornalística. As pessoas ultimamente querem estar sempre atualizadas sobre seus assuntos prediletos, esporte, política, moda, comportamento, saúde, economia... Todos eles - na sua página inicial da internet - alinhados prática e dinamicamente numa coluna à esquerda do monitor ou resguardados de forma estratégica e de fácil acesso num agregador pessoal de feeds.

Essa busca pela informação não sofre falta de oferta, pelo contrário: ela é muito maior que a procura, mesmo no Brasil, cujo índice de usuários com internet à mão ainda é baixo. Isso barateia a informação e amplifica seu acesso mais do que antigamente, quando se tinha que comprar jornais e revistas para acessar o jornalismo periódico impresso. Por um lado isso é muito saudável, porque aumenta a concorrência entre sites, que tentam proporcionar sempre uma busca pela melhor qualidade da informação o mais rápido possível. Por outro é negativo, porque os sites de notícia acabam caindo na tentadora esparrela do Ctrl+C, Ctrl+V, em que um site vai copiando a informação do outro sucessivamente, até que todos estejam com as mesmas coisas publicadas, muitas vezes pouco mudando o texto de um site para outro.

A informação, no meio virtual, significa mais "6 conjunto de atividades que têm por objetivo a coleta, o tratamento e a difusão de notícias junto ao público" do que "7 conjunto de conhecimentos reunidos sobre determinado assunto" (Dicionário HOUAISS). Mas essa premissa de que o que interessa é a mera informação jogada sintética e cruamente aos olhos do público leitor é bastante duvidosa. Muita gente ainda paga (não por falta de opção, mas porque quer pagar) para ter acesso a notícias mais elaboradas e reportagens mais bem feitas. Um bom exemplo disso é o jornal norte-americano "Wall Streel Journal", que "nunca abriu o site e tem hoje uma base de assinantes online de pouco mais de um milhão de pessoas que pagam US$5,00 por mês."[1] Dessa forma, o jornal preserva as suas notícia e disponiliza para o leitor colunas, espaço de opinião selecionada, entrevistas e reportagens, tudo isso com um viés mais crítico de que carece os sites de notícias na internet.

É claro que na internet há espaços como fóruns, grupos de discussão, de comentários etc. para que se opine sobre determinado assunto. Mas esses espaços, ou melhor, o público que neles escreve, sofrem da anomalia do "tudo publicável". O Ctrl+C, Ctrl+V da reportagem dá carta branca para que qualquer um escreva qualquer asneira ali, tornando o espaço de discussão uma ferramenta bastante útil nas mãos de pessoas com opiniões um tanto quanto esquizofrênicas.

Sou incondicional defensor da frase-clichê de Voltaire: "N
ão concordo com o que dizes, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-lo." Sou igualmente desejoso de uma imprensa livre, mas não uma imprensa livre que traz a informação através da cópia descabida. A falta de senso crítico dos veículos da informação virtual (imprensa muitas vezes chamada de "formadora de opinião") leva as pessoas a ter opiniões que não são ponderadas: fala-se qualquer asneira. Sou defensor da imprensa crítica, tanto aquela que é a favor de um governo, quando à que é contra. O importante é a informação ser de qualidade e crítica. Não simplesmente jogada e sintética. O Ctrl+C, Ctrl+V pode ser prático, mas definitivamente não acaba com a necessidade duma imprensa mais categórica.

Fontes:
[1: Caderno Mais! da Folha de S. Paulo, dia 30 de agosto de 2009, p. 8.]

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sábado, agosto 15, 2009

à venda na internet mais próxima de você

INGRESSOS DE SHOWS Um assunto que me deixou desconsertado durante o decorrer dessa semana foi o altíssimo preço de ingressos para shows em São Paulo e - por que não dizer? - no Brasil e a forma imbecil com que eles são postos à venda. O causo foi o seguinte: eu queria ir ao show do The Killers, cujos ingressos começaram a ser vendidos nessa segunda-feira. Naturalmente, como estudante desprovido de recursos financeiros que sou, optei por pagar o mínimo possível, isto é, não pagar a malograda taxa de conveniência da empresa responsável pela venda de ingresso e gozar do desconto de 50% dado aos estudantes. Tudo isso, claro, sendo resignado à pior visão possível do show: assisti-lo da pista.

Antes de falar dos meios de compra, vamos aos preços. Pagar R$100 a meia entrada da pista (ou seja, o preço mínimo) num ingresso para um show de uma única banda (com pista VIP) num local que comporta 30 mil pessoas (vide show do Radiohead) é quase uma extorção. Ter em vista que essa mesma banda fará shows em outros países da América Latina (Chile e Argentina) por preços mínimos bastante inferiores (R$60 e R$80 respectivamente) é ainda mais revoltante. Nos EUA, pode-se assistir à banda por R$80 em média, ao passo que, no Brasil, essa média sobe para R$120 reais. Isso sem mencionar que a diferença do câmbio monetário é apenas ilustrativa. Em outras palavras, dispor de R$80 no Brasil é muito diferente de dispor de US$40 nos EUA.

Vale lembrar que essa discrepância de custo é válida tamém para outros eventos. O show da Madonna anopassado, cujo custo médio, no Brasil, era no entorno de R$298 e nos EUA de US$155, chegou ao cúmulo de cobrar R$600 pela pista VIP. Para o show do Bob Dylan, o expectador brasileiro teve de desembolsar de 250 a R$900(!!!).

Já li que o exorbitante preço dos shows internacionais no Brasil dá-se tamém pela excessiva carga de impostos que a produção do show tem que pagar (seja com transporte, aluguéis, etc....). Mas por mais que a tributação brasileira seja alta - e isso tem que mudar, até porque o incentivo governamental para as produções nacionais é pequeno -, o custo do ingresso é elevado demais para simplesmente se justificar por isso. Principalmente, porque o local, e consequentemente o público, onde foram realizados esses shows é bem grande para a produção ter um lucro gordo e satisfatório.

Além disso, tem o problema da distribuição e venda dos ingressos que tamém me revolta muito. A nova onda agora é a venda de ingressos pela internet, à qual se agrega uma chamada (erroneamente) "taxa de conveniência". Esse custo a mais seria bastante compreensível se de fato a conveniência que ele pretende cobrir existisse. Para o show do The Killers, por exemplo, paga-se a "taxa de conveniência" para retirar o ingresso na bilheteria do evento. Com mil caracóis, ou eu estou muito equivocado, ou não há "conveniência" alguma! Ou a "conveniência" é ter a facilidade de comprar o ingresso pela internet? Oras, se eu vou ter que retirar o ingresso na bilheteria (que não é no local onde vai acontecer o show), posso muito bem comprá-lo lá direto e não pagar mais nenhum adicional.

Mas se você é um dos que preza realmente pela conveniência de comprar pela internet, além dos 15 reais convencionais (mínimos, porque a taxa é percentual e cai sobre o preço do ingresso), você paga mais outros 15 para que entreguem na sua casa! Preço esse muito mais elevado do que uma entrega via Sedex. E vamos aos cálculos. Se 30mil (capacidade da Chácara do Jóquei) ingressos de preço mínimo fossem vendidos pela internet, adicionada a taxa de conveniência, a empresa responsável lucraria singelos 450mil reais. E venha agora você me dizer que esse é o custo da manutenção do site para a venda de ingressos, que eu lhe perguntarei se tenho cara de trouxa. Parece-me que a "conveniência" da taxa se refere à da empresa, e não à do consumidor.

Além desse há outros inconvenientes na venda de ingressos a serem elencados. Primeiro, a ridícula cota de máximo de 30% de meia entrada obrigatória prevista por lei. Só 30% do público do The Killers é estudante? É realmente justo que um evento a esse preço libere apenas 30% dos ingressos com abono de 50%? Particularmente acho que não. E essa é uma reinvindicação de retificação de lei que deve ser feita pelos estudantes o quanto antes. Em segundo lugar, essa palhaçada de compra pela internet. Há algo na compra de ingressos pela internet que me soa errado. Se por um ela é moderna, cômoda e mais simples, por outro é injusta, cara e falha. Quem acaba garantindo o seu ingresso (se o evento em questão for uma corrida de cavalos incluídos digitalmente como foi o da Madonna) é quem tem a melhor conexão, um cartão de crédito disponível e sorte. A falta de guichês espalhados pela cidade para a compra torna ainda mais obrigatório o sistema de compra pela internet, que, repito, parece ser conveniente apenas para a empresa distribuidora.

(É bom deixar registrado tamém, se me permitem um parágrafo-parênteses, que para a empresa que vende o ingresso o interessante é esgotá-lo. Portanto, pessoas como cambistas são lucrativamente interessantes. Por que haveriam essas empresas de impedir a venda de ingressos a cambistas, se o quanto mais elas vendem, mais conveniente é? Não interessa se vão assistir ao show ou não: o que é preciso é se livrar dos ingressos.)

Enfim, parece que tanto a produção do show quanto a empresa que vende os ingressos contribuem e se ajudam mutuamente nessa onda. E o quanto menos reclamamos, mais acomodadas elas ficam. Mas essa apatia é bastante natural ao nosso povo, não reprimo ninguém. Quem é, no final das contas, que vai ficar sem assistir ao seu artista predileto numa performance sem preço? O que vale é a emoção do momento. E quem puder pagar, que a sinta.

[Fonte: Revista Veja, dia 10 de agosto de 2009.]

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domingo, agosto 02, 2009

o coff-coff do meu pulmão marca a histeria da minha aversão

LEI ANTIFUMO Sem elencar agora com grande revolta as minhas indignações sobre a lei antifumo do governador Serra para o estado de São Paulo que entra em vigor nesse dia sete - e promete ser o assunto da semana -, vou me ater mais ao maior absurdo imposto: a prohibição do fumo no palco durante peças de teatro.

Só para começar, já faz muito tempo que não vejo cigarros em novelas e peças de teatro: antes mesmo da prohibição da vehiculação de propagandas televisivas de tabaco, diminuiu-se o uso do cigarro como recurso cênico televisivo ou teatral (apologias?). Particularmente acho muito improvável que um diretor jogue em cena um exército de personagens fumantes soltando baforadas plateia acima, plateia abaixo. E vamos cá combinar que um cigarrinho ou dois em cena (que foi isso o máximo que a minha experiência de teatro já viu) não vão causar aborto espontâneo, amputação, necrose, câncer de laringe, boca ou pulmão, tristeza ou sofrimento em ninguém.

Encaro essa prohibição como censura, até porque fumar é um hábito que existe na sociedade há muito tempo (queiram os mais radicais antitabagistas ou não) e tem, poranto, razão e direito de ser representado. Independente de opinões - desculpem-me o termo - tresloucadas como a do Zé Celso, "O teatro é um culto religioso, dionisíaco. Então, tá liberado!", ou de outras doutrinárias como a do Gerald Thomas, "É uma besteira esse teatro realista, que precisa (...) de um cigarro. O artista tem que transcender tudo.", o teatro é a arte do aqui-agora e se não dispõe de todos os elementos que necessita para se completar aqui-agora, falhará. Essa censura limita as possibilidades artísticas, logo deve ser veementemente combatida.

Se existem as tais ORIENTAÇÕES indicativas de idade para peças e o escambau do barulete, proponho, daí, já-que percebo a irredutibilidade dos não fumantes com essa lei, que se alerte o expectador sobre uso de cigarro durante a peça. Democraticamente quem se sentir incomodado tem o aviso prévio e não se surpreenderá com o assustador, pavoroso, assassino e satânico cigarro em cena.
***
E a discussão não para por ahí. Acho engraçado as pessoas aplaudirem uma lei como essa que inviabiliza o direito do cidadão e do comerciante, sendo que todos os dias são bombardiadas com sabe-se lá quantas substâncias tóxicas emitidas por vehículos automotivos, indústrias e produtos nocivos aos tão caros e custosos pulmões da Pauliceia (ou os pulmões seriam justamente eles?). Por que não autorizar o comerciante a decidir se o fumo será ou não permitido em seu estabelecimento, desde-que haja um espaço onde esse seja permitido com regras e normas previstas em lei? Vejo muita passividade na aceitação de uma lei que restringe uma liberdade. O fumante optou pelo fumo. Se querem fazer dele um criminoso, que se prohiba o fumo de uma vez!

Permitam-me - só para acabar, que dessa vez fui além do meu limite normal de caracteres - fazer uma comparação provavelmente infeliz. Restringir aos poucos os direitos das empresas de cigarro e dos fumantes me lembra muito a restrição "lenta, gradual e segura" que o Império aplicou até a libertação total dos escravos. Começa-se com o Bill Alberdeen, passa pelo Ventre Livre, Sexagenários, até - enfim!, enfim! - a Lei Áurea. Se a intenção é acabar com a escravidão, corte-se o mal pela raiz. Se querem liquidar logo com os fumantes, torne ilegal a venda de cigarros! Uma lei simples como essa de âmbito nacional resolveria completamente a minha revolta e a revolta dos não fumantes. O curioso é que aparentemente o governo não quer que você, amável fumante, pare de fumar: a arrecadação de impostos com você é sobremaneira benquista. Abolida a escravidão, chega a hora de libertar os fumantes do vício. Ponho isso, naturalmente, sem a intenção de atingir as artes cênicas. Ou seria demais pedir ao Serra prohibir tamém os escravos nas novelinhas das 6 da Globo?

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segunda-feira, julho 27, 2009

cocoricó versão controversa

A FAZENDA Se "entretenimento" é a palavra que melhor define a função de um reality show, "qualidade" não é a melhor para definir A Fazenda, novo programa da Record. Para aqueles que estão acostumados a esse tipo de mídia, a emissora tem cometido alguns erros crassos, seja pela sua falta de experiência com o formato de programa, seja pela insistência que a Record tem em querer angariar Ibope a qualquer custo.

As falhas começam de dentro do próprio programa. As regras do jogo não estão claras para o expectador e podem mudar de semana para semana. Exemplifico: se em uma semana o Fazendeiro é escolhido pelo participante eliminado, na semana seguinte pode ser escolhido pela audiência, e saberá como se fará a da semana posterior. Além disso, a edição do programa é muito mal feita. Os microfones ficam todos abertos ao mesmo tempo e não se pode entender palavra do que os participantes estão discutindo, quiçá a matéria da discussão. Quando abrem-se as câmeras em algum horário inusitado (durante algum outro programa da emissora, ou durante as janelas na grade), a seleção do que passar ao vivo é igualmente mal pensada. Mostra-se qualquer coisa. Já me peguei assistindo aos participantes dormindo ou olhando para o teto durante muitos minutos.

Outro problema sério é a apresentação do Britto Júnior. A impressão que nos fica é a de que ele tenta se enturmar e fazer amizade com os participantes ao invés de manter uma postura neutra e distanciada, própria de um apresentador de competição. Seus comentários costumam ser tendenciosos, constrangedores e muitas vezes tentam inapropriadamente forçar e inventar situações, que vão trazer polêmica e audiência ao programa, e, portanto, chamar atenção do grande público. Britto parece ser mais um narrador do que um mediador do programa. O formato do reality show se baseia na visão que o expectador tem da competição, não na narração fantasiosa e crítica que o mediador tem dela.

Ainda assim, externamente ao programa, A Fazenda ainda tem outros problemas. A superexposição dos participantes eliminados e a falta de assunto que os circunda durante os outros programas da grade da Record. O participante eliminado vai até o Hoje Em Dia, em que apenas os apresentadores falam, enquanto o entrevistado fica prostrado na frente da câmera com cara de tacho e depois vai ao Geraldo Brasil, onde sua única função é ficar negociando envelopetas valendo dinheiro.

Uma coisa é certa: as falhas estruturais perdoam-se. É a primeira vez que a Record lança um produto como esse e é natural e compreensível que essas falhas ocorram. O que é necessário que se mude urgentemente é a parte do entretenimento que é muito falha. Se os diretores de programação da Record colherem os bons frutos da horta dA Fazenda, é provável que os maus a façam ter que plantar tudo novamente em outros moldes.

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segunda-feira, julho 06, 2009

a festa dos trending topics

TWITTER A nova mania entre os brasileiros do Tuíter é levar as coisas pro Trending Topics. Já ouvi e li muita gente criticando, dizendo coisas como "Só os brasileiros forçam os trending topics". Tópicos como os #welcomemcfly, #chupa e #forasarney foram exemplos de como os brasileiros "forçaram" as entradas desses tópicos no Tuíter.

Particularmente não vejo nenhum problema em forçar os Trending Topics. Principalmente porque mandar alguma coisa pros Trending Topics do Tuíter significa chamar a atenção. E chamar atenção é uma coisa que nos agrada - especialmente no meio americanizado que é o Tuíter: "Michael, Michael, eles não ligam prà gente!"

Quando o meio de informação muda é natural que as formas de protesto mudem também e forçar os trending topics foi uma forma que alguns brasileiros encontraram de se expressar mundialmente. Se isso vale realmente de alguma coisa ou não, é outra discussão. Até porque, vamos refletir, existe alguma validade extraordinária para o Tuíter? E se essa validade existe, qual a importância realmente concreta dos trending topics? Se alguma tivesse, besteiras como "Good Night" e "iTunes" não apareceriam entre eles tão facilmente.

Vamos combinar que se revoltar contra isso é uma bobagem. Tanto de quem se revolta, quanto de quem aceita veementemente a mania de forçar os trendind topics. Tentar encarar as coisas com um pouco de humour não faz mal, e essa é a forma que nós achamos de entender os trending topics.

#chupa

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segunda-feira, dezembro 31, 2007

feliz ano novo aos senhores

ÚLTIMO POST DO ANO Sustentabilidade, último dia do ano e Larissa.

Lari:

ah e sabe de uma coisa?eu gosto de estuda...hehehehhe...
Miguel:
Eu sei.
Por isso vai ser acadêmica. XD
Lari:
eba!meu sonho de consumo...vive com os miseros reais doados pela universidade aos academicos - afinal, cerveja de boteco nem eh taum cara assim!
Miguel:
Hahahahahahahahahahahahaha!
Miguel:
Nem 51. Nem Orloff...
Miguel:
É, dá pra viver bem...
Miguel:
Compra Camel, e vamulá! XD
Lari:
pois eh...os meus combustiveis - alem de renovaveis- saum baratinhus...
Miguel:
Viu? Ainda ajuda o meio ambiente. XD
Lari:
hahahahahahhahahahahhahahahah
Lari:
ai ai ... ... ...
Miguel:
Fora que desidrata, logo, sobra mais água no planeta.
Miguel:
É perfeito. Você é uma máquina de sustentabilidade, Lari!
Lari:
viu? ecologicamente correta... vou fazer uma tese sobre isso!
Miguel:
Novo nick: "Em 2008 eu prefiro ser uma máquina de sustentabilidade ambulante."
Lari:
eu axo q a gnt deveria apresentar esse novo projeto de vida a grupos nao governamentais...
Lari:
ou formar o nosso proprio...
Miguel:
Né!? Ia ser lindo!!
Lari:
nos somos lindos xuxu!
Miguel:
Isso é só mais uma prova... XD
Lari:
ai ai ... chegamos a essa conclusao no ultimo dia do ano!
Miguel:
Já percebeu que a gente sempre chega a essa conclusão? XD
Lari:
jah...pq ela eh meio obvia!

[Um post dedicado à unica pessoa tão perfeita quanto eu.]

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segunda-feira, setembro 03, 2007

epische Geschichte

LYGIA FAGUNDES TELLES Eu nem precisava voltar lá. Já tinha ido, já tinha me divertido, já tinha palhaçado com os amigos, já tinha comprado todos os livros que me apeteciam (ou o dinheiro já se tinha esgotato?), enfim. Mas ao descobrir que dali alguns dias Lygia Fagundes Telles estaria falando do Invenção e Memória naquela Bienal do Livro, não me contive e voltei.

Cheguei atrasado, mas consegui arranjar um lugar bom. O auditório não tava tão cheio, e também não era grande. Sentada, numa poltrona azul, estava ela lá, com o microfone na mão. Falou do Largo São Franscisco, de Mário de Andrade, Natal na Barca, escrever, a escola romântica, Hilda Hilst?, sonhar... Tudo ali, pra algumas fileiras a frente.

Ao final da palestra, foi dada a largada, e os - muitos - interessados se aglomeraram em volta da poltrona, pra conseguir um autógrafo, uma troca de palavras com a escritora. Entre os desesperados, estava eu, segurando meu livrinho (comprado dois anos antes do acontecido por coincidência na Bienal do Livro anterior), torcendo. A "fila" desregrada foi andando, fui me aproximando, as pessoas foram saindo.

Eis que os seguranças - como a uma Madonna? - fizeram um círculo em torno dela, num gesto que aqui certamente significa algo como "se mandem seu bando de fanático, que ela vai embora". Bateu um desespero. Argumentei com um segurança "Moço, eu vim aqui só pra falar com ela, por favor. Não quero muito, só um aperto de mão!". Ele virou com toda a displicência que é característica de todo segurança, e disse "não posso fazer nada". Ah, mas podia, o feladaputa.

O desespero foi mais forte, me esgueirei por entre os seguranças e cutuquei o ombro dela, "Dona Lygia?", ela se vira e eu completo "só um aperto de mão?". E ela me estende a mão com uma fisionomia séria ainda que absolutamente confortante, agora não tinha segurança que me impedisse. Eu falei alguma coisa que agora não consigo me lembrar o quê. Algo como "boa parte da minha estante é dedicada à senhora, se puder..." E entreguei meu livro. Ela abriu, e
- Seu nome?
- Miguel.
- Miguel! Adoro esse nome! Direto!, sem delongas, esses nomes longos que as pessoas põem...

Assinou, pôs lá, "Para Miguel, lembrança de Lygia Fagundes Telles". Saí de lá com três coisas. Um autógrafo da escritora que mais considero. A melhor definição do meu próprio nome. E um mote: viva e destrua barreiras, a começar pelas humanas.

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quarta-feira, julho 18, 2007

polêmicas em tópicos

MÁRCIA Muito bem, a pedidos, Márcia Goldschmidt. Volta dos EUA e começa programa novo na Band. É... Nada não mudou. Continua com as polêmicas de sempre, trash de sempre. Agora quer saber? Eu gosto dos programas trash. The trasher, the better. Mas há algo na Goldschmidt que me incomoda seriamente. Veja bem, a Regina Volpato com seus Casos de Família. É, talvez, o programa mais esperto da nossa televisão. Se meter na vida dos outros, quer coisa mais humana?
A Volpato tem tato, diferente da Goldschmidt. Essa segunda não tem graça, só segura audiência, faz alarde em cima de um único caso sem graça, monótono e piegas. Já a primeira - além de ser mais sensata, divertida e melhor apresentadora - tem um leque de temas e convidados que faz o programa ficar mais abranjante a cada dia, e o melhor: sem deixar de ser trash.

Por pouco, muito pouco, a Márcia não foi competir com os pastores e com a Galisteu na madrugada. Pra ver que tudo que for fazer, tem que ser feita seriedade e com qualidade. Mesmo sendo trash, ou atendendo um público específico, a produção tem que ser bem feita. Não adianta só ter vivido e morado nos EUA.

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sábado, junho 16, 2007

de quê, afinal, meus deuses

PRETO E BRANCO Esses dias, enquanto eu via o TV Fama (o qual ainda hei-de discursar sobre), passou-me pela cabeça o seguinte. O que tem a Grazi Massafera? BBB qualquer um é. Novela das oito? Sendo do Manuel Carlos, cái no abismo. Loira, gostosa. Abre qualquer sexyplayboy, que achareis. Ora, então. Que raios tem essa mulher que me faz achar ela tão relevante quanto uma bituca de cigarro esmagada no chão? Ou pior. O que diabos tem essa mulher que fazem-se de achá-la tão importante?? Veja lá: há pessoas e pessoas. Massafera não faz nada, não produz nada, não cria nada, mas é tudo. Aí me vem também. Entretanto todavia visto isso em contrário por contraste poréntico, a Preta Gil é outra. Não faz nada, não produz nada, não cria nada, mas - pra mim - é tudo. Altos orgasmos com essa preta.

A diferença? Simples. Não sabe Isabel?, e Ceci?, as duas princesinhas dO Guarani? É a mesma coisa. Quem quer a chocha da Ceci quando tem a retumbante Isabel? Por que só eu penso assim, meus deuses. Sou só eu, ou o mundo tá mesmo é com pinto de indiarada?

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domingo, maio 06, 2007

hipertrofia de cérebros de ostra

HISTERIA Se um autor renomado fosse escrever um romance que começasse no começo desse século XX, ele poderia muito bem começar assim: Era no tempo da histeria. Não digo a histeria doença, aquela lá do Freud, não, não... Digo a histeria no sentido "2. comportamento caracterizado por excessiva emotividade ou terror pânico" (HOUAISS). A histeria que reza que jogar um papelzinho pela janela do carro é crime inafiançável, mas que dar uma robadinha é permitido. Ah, sim, existem grandes ícones magnânimos da histeria. O primeiro é o celular. A maquininha mais histérica de todas. Aquela que tira fotos, envia mensagens, joga jogos, toca mp3, vibra (até), tem rádio, televisão, toca clips, filmes, documentários, e -veja você!- até comercial em terceira dimensão. E tudo isso para a sua mais perfeita comodidade, perda de dinheiro e inutilidade, porque, afinal de contas, você compra e reduz o seu cérebro (que já deve ser reduzido) a um um pouco maior que o de uma ostra.
Veja agora como a coisa é curiosa, a histeria chega a tal ponto, que é preciso que o cinema reeduque as pessoas a não deixarem seu celular ligado. Ah, mas pode ser uma emergência. Óbvio. A emergência de que não tem pó de café em casa, e que a sua mãe volta de Miami na semana que vem - motivos super emergencias que requerem o celular ligado (altamente ligado) durante todo o maldito filme.
Compartilhar coisas com as pessoas tem se tornado cada vez mais difícil desde o advento e disseminação do iPod. Aquela porcariazinha que se enfia nos tímpanos pra ouvir de tudo, desde Ivete Sangalo no meio do shooping, até Mozart no ônibus lotado às 17:00h no caminho de volta para casa. E vejam como eu me divirto e me distraio sozinho, sem precisar de vocês, retardados que estão ao meu lado.
Agora diz. Diz aquela frase "vamos tirar uma foto?". A máquina digital traz pra você toda a facilidade de uma câmera adaptada ao mundo moderno. A mais última maneira de se banalizar coisas. Momentos, pessoas, fotografias. Tudo banalizado. Não ficou bom? Deleta e tira outra.

Eu fico particularmente ofendido com tudo isso. Ofendido com o retardado que não se separa do celular nem pra cagar, com o imbecil que não me fala bom dia, porque tem um fone enterrado nos ouvidos, com o cérebro de amêndoa que me pede pra tirar uma foto, que vai pro fotolog. É uma afronta, uma violência tamanha a quantidade de informações não-sintetizadas largadas pelo mundo. De que adianta todas essas informações, se as pessoas que as recebem não sabem aplicá-las? Eu espero que um dia alguém crie uma máquina de observar ridículos, e que essa máquina seja comprada, disseminada e esquecida. Afinal, eu também já me cansei de fazer críticas pra ninguém ouvir.

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segunda-feira, abril 16, 2007

fim de domingo, ó raiva

BOSTA! "Miguel, já é meia noite, você não vai dormir? *tampa de pote sendo fechada*" Eis a última coisa que ouvi.

Inferno. Quero matar o infeliz que inventou o sono. Ou o tempo. Ou os horários. Ou as aulas de manhã cedo. Sério. O problema não é acordar cedo. É dormir cedo.

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