segunda-feira, julho 27, 2009

cocoricó versão controversa

A FAZENDA Se "entretenimento" é a palavra que melhor define a função de um reality show, "qualidade" não é a melhor para definir A Fazenda, novo programa da Record. Para aqueles que estão acostumados a esse tipo de mídia, a emissora tem cometido alguns erros crassos, seja pela sua falta de experiência com o formato de programa, seja pela insistência que a Record tem em querer angariar Ibope a qualquer custo.

As falhas começam de dentro do próprio programa. As regras do jogo não estão claras para o expectador e podem mudar de semana para semana. Exemplifico: se em uma semana o Fazendeiro é escolhido pelo participante eliminado, na semana seguinte pode ser escolhido pela audiência, e saberá como se fará a da semana posterior. Além disso, a edição do programa é muito mal feita. Os microfones ficam todos abertos ao mesmo tempo e não se pode entender palavra do que os participantes estão discutindo, quiçá a matéria da discussão. Quando abrem-se as câmeras em algum horário inusitado (durante algum outro programa da emissora, ou durante as janelas na grade), a seleção do que passar ao vivo é igualmente mal pensada. Mostra-se qualquer coisa. Já me peguei assistindo aos participantes dormindo ou olhando para o teto durante muitos minutos.

Outro problema sério é a apresentação do Britto Júnior. A impressão que nos fica é a de que ele tenta se enturmar e fazer amizade com os participantes ao invés de manter uma postura neutra e distanciada, própria de um apresentador de competição. Seus comentários costumam ser tendenciosos, constrangedores e muitas vezes tentam inapropriadamente forçar e inventar situações, que vão trazer polêmica e audiência ao programa, e, portanto, chamar atenção do grande público. Britto parece ser mais um narrador do que um mediador do programa. O formato do reality show se baseia na visão que o expectador tem da competição, não na narração fantasiosa e crítica que o mediador tem dela.

Ainda assim, externamente ao programa, A Fazenda ainda tem outros problemas. A superexposição dos participantes eliminados e a falta de assunto que os circunda durante os outros programas da grade da Record. O participante eliminado vai até o Hoje Em Dia, em que apenas os apresentadores falam, enquanto o entrevistado fica prostrado na frente da câmera com cara de tacho e depois vai ao Geraldo Brasil, onde sua única função é ficar negociando envelopetas valendo dinheiro.

Uma coisa é certa: as falhas estruturais perdoam-se. É a primeira vez que a Record lança um produto como esse e é natural e compreensível que essas falhas ocorram. O que é necessário que se mude urgentemente é a parte do entretenimento que é muito falha. Se os diretores de programação da Record colherem os bons frutos da horta dA Fazenda, é provável que os maus a façam ter que plantar tudo novamente em outros moldes.

Marcadores: , ,

segunda-feira, julho 06, 2009

a festa dos trending topics

TWITTER A nova mania entre os brasileiros do Tuíter é levar as coisas pro Trending Topics. Já ouvi e li muita gente criticando, dizendo coisas como "Só os brasileiros forçam os trending topics". Tópicos como os #welcomemcfly, #chupa e #forasarney foram exemplos de como os brasileiros "forçaram" as entradas desses tópicos no Tuíter.

Particularmente não vejo nenhum problema em forçar os Trending Topics. Principalmente porque mandar alguma coisa pros Trending Topics do Tuíter significa chamar a atenção. E chamar atenção é uma coisa que nos agrada - especialmente no meio americanizado que é o Tuíter: "Michael, Michael, eles não ligam prà gente!"

Quando o meio de informação muda é natural que as formas de protesto mudem também e forçar os trending topics foi uma forma que alguns brasileiros encontraram de se expressar mundialmente. Se isso vale realmente de alguma coisa ou não, é outra discussão. Até porque, vamos refletir, existe alguma validade extraordinária para o Tuíter? E se essa validade existe, qual a importância realmente concreta dos trending topics? Se alguma tivesse, besteiras como "Good Night" e "iTunes" não apareceriam entre eles tão facilmente.

Vamos combinar que se revoltar contra isso é uma bobagem. Tanto de quem se revolta, quanto de quem aceita veementemente a mania de forçar os trendind topics. Tentar encarar as coisas com um pouco de humour não faz mal, e essa é a forma que nós achamos de entender os trending topics.

#chupa

Marcadores: ,