segunda-feira, dezembro 19, 2011

Destination ZKPY

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terça-feira, setembro 21, 2010

poema

POEMA Eis um poema que me nasceu ontem de cabeceira:

O Grito

"How now! What noise is that?"
(Hamlet, ato IV, cena V)

Ouçam!... É noite.
Ouço o grito que não sei se é real.
O grito da mulher arruinada
ou pio da coruja faminta
ou sopro da imaginação alimentada pelas mais profundas trivialidades...

O grito é o rasgo da verdade
A brecha que cinde o mundo.
Cesariana da realidade, o rangido
do parto forçado.

Forças que não se sabe da onde vêm,
O que são,
Nem por que gritam.

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domingo, agosto 30, 2009

a esparrela do Ctrl+C, Ctrl+V

IMPRENSA VIRTUAL É o tempo da popularização da informação midiática e jornalística. As pessoas ultimamente querem estar sempre atualizadas sobre seus assuntos prediletos, esporte, política, moda, comportamento, saúde, economia... Todos eles - na sua página inicial da internet - alinhados prática e dinamicamente numa coluna à esquerda do monitor ou resguardados de forma estratégica e de fácil acesso num agregador pessoal de feeds.

Essa busca pela informação não sofre falta de oferta, pelo contrário: ela é muito maior que a procura, mesmo no Brasil, cujo índice de usuários com internet à mão ainda é baixo. Isso barateia a informação e amplifica seu acesso mais do que antigamente, quando se tinha que comprar jornais e revistas para acessar o jornalismo periódico impresso. Por um lado isso é muito saudável, porque aumenta a concorrência entre sites, que tentam proporcionar sempre uma busca pela melhor qualidade da informação o mais rápido possível. Por outro é negativo, porque os sites de notícia acabam caindo na tentadora esparrela do Ctrl+C, Ctrl+V, em que um site vai copiando a informação do outro sucessivamente, até que todos estejam com as mesmas coisas publicadas, muitas vezes pouco mudando o texto de um site para outro.

A informação, no meio virtual, significa mais "6 conjunto de atividades que têm por objetivo a coleta, o tratamento e a difusão de notícias junto ao público" do que "7 conjunto de conhecimentos reunidos sobre determinado assunto" (Dicionário HOUAISS). Mas essa premissa de que o que interessa é a mera informação jogada sintética e cruamente aos olhos do público leitor é bastante duvidosa. Muita gente ainda paga (não por falta de opção, mas porque quer pagar) para ter acesso a notícias mais elaboradas e reportagens mais bem feitas. Um bom exemplo disso é o jornal norte-americano "Wall Streel Journal", que "nunca abriu o site e tem hoje uma base de assinantes online de pouco mais de um milhão de pessoas que pagam US$5,00 por mês."[1] Dessa forma, o jornal preserva as suas notícia e disponiliza para o leitor colunas, espaço de opinião selecionada, entrevistas e reportagens, tudo isso com um viés mais crítico de que carece os sites de notícias na internet.

É claro que na internet há espaços como fóruns, grupos de discussão, de comentários etc. para que se opine sobre determinado assunto. Mas esses espaços, ou melhor, o público que neles escreve, sofrem da anomalia do "tudo publicável". O Ctrl+C, Ctrl+V da reportagem dá carta branca para que qualquer um escreva qualquer asneira ali, tornando o espaço de discussão uma ferramenta bastante útil nas mãos de pessoas com opiniões um tanto quanto esquizofrênicas.

Sou incondicional defensor da frase-clichê de Voltaire: "N
ão concordo com o que dizes, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-lo." Sou igualmente desejoso de uma imprensa livre, mas não uma imprensa livre que traz a informação através da cópia descabida. A falta de senso crítico dos veículos da informação virtual (imprensa muitas vezes chamada de "formadora de opinião") leva as pessoas a ter opiniões que não são ponderadas: fala-se qualquer asneira. Sou defensor da imprensa crítica, tanto aquela que é a favor de um governo, quando à que é contra. O importante é a informação ser de qualidade e crítica. Não simplesmente jogada e sintética. O Ctrl+C, Ctrl+V pode ser prático, mas definitivamente não acaba com a necessidade duma imprensa mais categórica.

Fontes:
[1: Caderno Mais! da Folha de S. Paulo, dia 30 de agosto de 2009, p. 8.]

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sábado, agosto 15, 2009

à venda na internet mais próxima de você

INGRESSOS DE SHOWS Um assunto que me deixou desconsertado durante o decorrer dessa semana foi o altíssimo preço de ingressos para shows em São Paulo e - por que não dizer? - no Brasil e a forma imbecil com que eles são postos à venda. O causo foi o seguinte: eu queria ir ao show do The Killers, cujos ingressos começaram a ser vendidos nessa segunda-feira. Naturalmente, como estudante desprovido de recursos financeiros que sou, optei por pagar o mínimo possível, isto é, não pagar a malograda taxa de conveniência da empresa responsável pela venda de ingresso e gozar do desconto de 50% dado aos estudantes. Tudo isso, claro, sendo resignado à pior visão possível do show: assisti-lo da pista.

Antes de falar dos meios de compra, vamos aos preços. Pagar R$100 a meia entrada da pista (ou seja, o preço mínimo) num ingresso para um show de uma única banda (com pista VIP) num local que comporta 30 mil pessoas (vide show do Radiohead) é quase uma extorção. Ter em vista que essa mesma banda fará shows em outros países da América Latina (Chile e Argentina) por preços mínimos bastante inferiores (R$60 e R$80 respectivamente) é ainda mais revoltante. Nos EUA, pode-se assistir à banda por R$80 em média, ao passo que, no Brasil, essa média sobe para R$120 reais. Isso sem mencionar que a diferença do câmbio monetário é apenas ilustrativa. Em outras palavras, dispor de R$80 no Brasil é muito diferente de dispor de US$40 nos EUA.

Vale lembrar que essa discrepância de custo é válida tamém para outros eventos. O show da Madonna anopassado, cujo custo médio, no Brasil, era no entorno de R$298 e nos EUA de US$155, chegou ao cúmulo de cobrar R$600 pela pista VIP. Para o show do Bob Dylan, o expectador brasileiro teve de desembolsar de 250 a R$900(!!!).

Já li que o exorbitante preço dos shows internacionais no Brasil dá-se tamém pela excessiva carga de impostos que a produção do show tem que pagar (seja com transporte, aluguéis, etc....). Mas por mais que a tributação brasileira seja alta - e isso tem que mudar, até porque o incentivo governamental para as produções nacionais é pequeno -, o custo do ingresso é elevado demais para simplesmente se justificar por isso. Principalmente, porque o local, e consequentemente o público, onde foram realizados esses shows é bem grande para a produção ter um lucro gordo e satisfatório.

Além disso, tem o problema da distribuição e venda dos ingressos que tamém me revolta muito. A nova onda agora é a venda de ingressos pela internet, à qual se agrega uma chamada (erroneamente) "taxa de conveniência". Esse custo a mais seria bastante compreensível se de fato a conveniência que ele pretende cobrir existisse. Para o show do The Killers, por exemplo, paga-se a "taxa de conveniência" para retirar o ingresso na bilheteria do evento. Com mil caracóis, ou eu estou muito equivocado, ou não há "conveniência" alguma! Ou a "conveniência" é ter a facilidade de comprar o ingresso pela internet? Oras, se eu vou ter que retirar o ingresso na bilheteria (que não é no local onde vai acontecer o show), posso muito bem comprá-lo lá direto e não pagar mais nenhum adicional.

Mas se você é um dos que preza realmente pela conveniência de comprar pela internet, além dos 15 reais convencionais (mínimos, porque a taxa é percentual e cai sobre o preço do ingresso), você paga mais outros 15 para que entreguem na sua casa! Preço esse muito mais elevado do que uma entrega via Sedex. E vamos aos cálculos. Se 30mil (capacidade da Chácara do Jóquei) ingressos de preço mínimo fossem vendidos pela internet, adicionada a taxa de conveniência, a empresa responsável lucraria singelos 450mil reais. E venha agora você me dizer que esse é o custo da manutenção do site para a venda de ingressos, que eu lhe perguntarei se tenho cara de trouxa. Parece-me que a "conveniência" da taxa se refere à da empresa, e não à do consumidor.

Além desse há outros inconvenientes na venda de ingressos a serem elencados. Primeiro, a ridícula cota de máximo de 30% de meia entrada obrigatória prevista por lei. Só 30% do público do The Killers é estudante? É realmente justo que um evento a esse preço libere apenas 30% dos ingressos com abono de 50%? Particularmente acho que não. E essa é uma reinvindicação de retificação de lei que deve ser feita pelos estudantes o quanto antes. Em segundo lugar, essa palhaçada de compra pela internet. Há algo na compra de ingressos pela internet que me soa errado. Se por um ela é moderna, cômoda e mais simples, por outro é injusta, cara e falha. Quem acaba garantindo o seu ingresso (se o evento em questão for uma corrida de cavalos incluídos digitalmente como foi o da Madonna) é quem tem a melhor conexão, um cartão de crédito disponível e sorte. A falta de guichês espalhados pela cidade para a compra torna ainda mais obrigatório o sistema de compra pela internet, que, repito, parece ser conveniente apenas para a empresa distribuidora.

(É bom deixar registrado tamém, se me permitem um parágrafo-parênteses, que para a empresa que vende o ingresso o interessante é esgotá-lo. Portanto, pessoas como cambistas são lucrativamente interessantes. Por que haveriam essas empresas de impedir a venda de ingressos a cambistas, se o quanto mais elas vendem, mais conveniente é? Não interessa se vão assistir ao show ou não: o que é preciso é se livrar dos ingressos.)

Enfim, parece que tanto a produção do show quanto a empresa que vende os ingressos contribuem e se ajudam mutuamente nessa onda. E o quanto menos reclamamos, mais acomodadas elas ficam. Mas essa apatia é bastante natural ao nosso povo, não reprimo ninguém. Quem é, no final das contas, que vai ficar sem assistir ao seu artista predileto numa performance sem preço? O que vale é a emoção do momento. E quem puder pagar, que a sinta.

[Fonte: Revista Veja, dia 10 de agosto de 2009.]

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sexta-feira, fevereiro 08, 2008

oô...

Prometido e cumprido, para contrariar a música da Rita Lee, que dando os devidos créditos ao autor, esses deveriam ir automaticamente ao Moacir Franco, escritor da música, e sem desmerecer naturalmente a interpretação magistral da Rita, entregues os devidos direitos autorais a ambos, e para que as coisas não terminem em bosta, estou eu aqui a postar as fotos que prometi de São Paulo, publicadas na Revista da Folha em ocasião do aniversário dos 454 anos da cidade. Lanço mão das três fotos que mais me agradaram, e os devidos créditos aos seus devidos fotógrafos, que assim como Rita Lee e Moacir Franco, não devem ser ignorados, sejam pelas conseqüências constrangedoras que isso pode se suceder, seja pela total falta de delicadeza e justiça que haveria de ser em caso de não fazê-lo.

avenida paulista



















estação da luz


















viaduto prof. bernardino tranchesi sobre o túnel nove de julho




















E, como prometido e mais uma vez cumprido, os créditos são dos fotógrafos Weber Amendola de Oliveira, Pedro Nunes Rodrigues de Menezes e Otávio Burin de Oliveira, respectivamente. Aproveitando a oportunidade para falar, "wöw, caras, que fotos iradas", e aqui acabam-se as rasgações de ceda.

E, por fim, para terminar com o ciclo de promessas e cumprimentos e bostas, falta apenas o texto da cidade de São Paulo que estou escrevendo, e que, se não me faltar delicadeza e justiça a mim mesmo, o que por razões óbvias não sucederá, vou postar aqui com o crédito a mim, e fim. Aguardem.

(E desejem-me feliz aniversário, porque eu mereço.)

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sexta-feira, fevereiro 01, 2008

festa da carne

CARNAVAL Não é por nenhuma, a causa da minha antipatia pelo Carnaval. O que, embora muitos pensem o contrário, não é nenhuma originalidade. Há tantos apaixonados quanto odiadores do Carnaval nesse país, e sem diversas intensidades, seja na paixão, seja no ódio. No meu caso estritamente particular, por vias incalculadamente pessoais, vias do destino, não chego a odiá-lo, porque não me chega a tanto o desagrado. Mas sem dúvida não é a minha época preferida do ano.

Acontece que sempre que vou em busca do Carnaval, ele foge de mim. É engraçado isso, ele foge de mim, mas eu não posso, não há como, fugir dele. Carnaval é água, água de beber. E tomei a briga como pessoal, e agora faço as honras de dizer que não, não gosto do Carnaval. Uma época terrível, cheia de grito, bafafá e (palavra que uso pejorativamente em 3 de cada 5 posts) histérica. Todos comemoram, se divertem sem nem saber por quê, só porque é Carnaval.

Curiosa é a diversidade. Cada folião, carro alegórico, bloco, máscara, trio elétrico, serpentina, samba-enredo, mulata, confete, pena, adereço e cerveja tem a sua particularidade. Essa mágica, eventual, essa beleza não deixa de ser encantadora. Junta o país, uma lindeza, uma beleza.

Bem, que, mesmo encantado, e pra concluir, volto à metáfora da água, que é o que fica, o Carnaval é, para mim, água, pois tento agarrá-lo a todo custo e ele me foge pelos braços, escorre pelos dedos, tal como a água. E tal como a água, se ele me escapa, ao dar-lhe o troco, não consigo, já que ele, como a água, é indispensável, e sem ambos não vivo.

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