terça-feira, novembro 17, 2009

a máquina, o macaco e a relatividade

[ADVERTÊNCIA: Não tenho certeza de nenhuma das palavras escritas aqui. Quero críticas, xingamentos. Talvez nunca tenha escrito um texto tão sem sentido. Ou com tanto sentido. Talvez nunca tenha escrito um texto tão ambicioso. Ou tão ingênuo. Talvez nunca tenha entendido tão bem o resto do mundo. Ou eu mesmo. Talvez nunca tenha dito tanto. Ou tão pouco.]

PÓS-MODERNIDADE "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus e o Verbo era Deus." (JOÃ 1,1) Mas não vamos nos ater ao princípio, mas ao meio. De repende eis que surge um homem que é filho de deus e que é o primeiro homem. E o filho de deus prega o amor e a compaixão. E esse homem, depois de morto-ressucito, destrói um império. Depois surgem uns outros homens que dizem que a Terra é redonda, que a Terra gira em torno do Sol, que a Terra é o centro do universo. Vem um outro homem e diz que a Terra não é o centro do universo. Aí os homens descobrem a máquina e a máquina vira deus e a máquina é o centro do homem. E depois vem um homem que diz que o homem não vem de deus, massim do macaco. E então o macaco e a máquina são deus. O último homem que resta, que é gênio - não é homem -, diz que, então, tudo é relativo. As árvores, então, se movem. O Sol, então, gira em torno da Terra. O tempo, então, muda quando há movimento. Então o gênio disse: "Faça-se a relatividade!" E a relatividade foi feita. E o gênio viu que a relatividade era boa. Então a máquina, o macaco e a relatividade eram deus. No final era a máquina, o macaco e a relatividade. E a máquina, o macaco e a relatividade estavam junto do homem. E a máquina, o macaco e a relatividade eram o homem.

***

Mas e o agora? A gente debocha falando da "pós-contemporaneidade", "da sociedade pós-moderna". Mas e quando paramos pra tentar entender e dar significado a esses termos, a que conclusão chegamos? Normalmente à clássica "definir é limitar" ou à aceitação de todas as doutrinas, ou ao, não menos clássico, "o ponto de vista define o objeto". Independente de qual das três, todas fogem das respostas.

Se aquilo que é "moderno" é, toscamente, a reunião das produções humanas pós segunda revolução industrial, que abarca especialmente o final do século XVIII até a década de 70 do século passado, o depois-disso é mistério, é névoa, é virtual.

O pós-moderno, como não poderia deixar de ser, é o que vem depois do moderno. E o moderno tem três pilares fundamentais: a máquina, o macaco e a relatividade. E todos eles têm a ciência como base fundamental. A máquina responde o "para onde vamos", o macaco responde o "de onde viemos", a relatividade responde o "o que somos". E, assim, num passe de mágica, o homem tem a explicação técnico-científica perfeita para todas as questões impostas pelo racionalismo que rege a sociedade ocidental desde o Renascimento.

(Ambiciosa, a afirmação.)

Nietzsche matou deus, coitado. Para tentar devolver a mágica inexplicável e redentora do mundo - detonada pelo avanço científico e pelo fim do rito e dos dogmas religiosos -, a modernidade tenta dar à arte um tom divino, dionisíaco (exemplificado perfeitamente pelo primitivismo de Picasso, de Schönberg, de Oswald de Andrade e de Brecht). A pós-modernindade, na contramão desse movimento, está saturada de racionalidade e tenta pelo fim do conceito de "distância" redimensionar os conceitos de espaço e tempo.

A distância acabou e, junto com ela, foi embora a racionalidade. Pensar o mundo não faz mais sentido se o mundo já foi anteriormente pensado e se toda essa bagagem está prêt-à-porter na rapidez de um clique. A compreensão do tempo também se transformou. Deixou de ser um tempo cronológico, retilíneo, para ser um tempo simultâneo. E essas duas transformações básicas convergem para outras duas novidades: a aceitação da futilidade e da embriaguez.

Por "aceitação da futilidade" entenda a desvontade que paira sobre os pós-modernos. A aceitação da futilidade é não dar mais valor àquilo que é racional, que é compreensível. É aceitar as coisas como são, com uma passividade surda. Um exemplo disso é a relutância que as pessoas têm de entender as coisas. Ninguém mais quer entender. Ninguém mais quer questionar. As coisas, para os pós-modernos, estão bem como estão. Apatia.

A "aceitação da embriaguez" é a massificação estrondosa do uso de narcóticos. O uso de substâncias entorpecentes nunca foi tão disseminado e, pasme, tão aceito.

Não está aqui declarado o fim da ciência. Nem o fim da religião. Mas a saturação da racionalidade e suas consequências mais diretas. Pelo menos aquelas que pude observar. Em mim e nos outros.

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sábado, maio 30, 2009

o único livro

BÍBLIA Esses dias, dada à total falta do que ler, encontrei entre os livros de mamãe uma pequena antologia dos sermões do Padre Vieira. Ah, o Barroco. Ah, como amo essa porra. Pois bem. Depois de só ter lido o Sermão da Sexagésima, resolvi pegar e dar uma olhada no SERMÃO PELO BOM SUCESSO DAS ARMAS DE PORTUGAL CONTRA AS DA HOLANDA. Como é impossível pegar os escritos do Padre para uma mera olhada, sentei e comecei a ler de verdade.

Só-que me deparei com uma série de citações bíblicas às quais fazia cara de -q. O que me restou foi pegar a bíblia bem didática de mamãe e sentá-la ao colo, junto do sermão, pra ver se conseguia tirar do texto alguma coisa mais proveitosa. A coisa foi me instigando e me curiosando. Terminei o sermão, depois de ter lido uns dois salmos e uma alguma parte do êxodo. Fechei o sermão, mas não a bíblia.

Nunca tive um contacto realmente válido com os textos sagrados. Nunca fui doutrinado por eles, tampouco interessado. Não é novidade pra ninguém a minha posição de ateu e de descrente em relação a essas coisas. (Tirando eventuais peregrinações a Aparecida pra pagar promessa, mas isso talvez seja matéria de uma outra postagem no blogue.) Para mim pegar a bíblia é coisa tão improvável quanto chuva no deserto.

Sim, estou lendo a bíblia. Resolvi dar uma olhada no guia que segue nos prólogos da bíblia - bem comentei que essa edição de mamãe era bem didática. Me falou pra começar pelos evangélios e é isso que estou fazendo. Ainda tô no Mateus. Mas logo-logo vai acabar.

Impressões iniciais? Estou estupefato. Não só pelo texto em si, mas pela minha total imbecilidade de não ter ido ao encontro dele antes. (Aos mais desesperados ou esperançosos, não... Não encontrei Jesus. Pelo menos não nesse sentido corriqueiro.) Nunca tinha tido realmente a ideia da importância do texto bíblico. E de quantas coisas tô encontrando por lá. Evidentemente não tô lendo aquilo de forma religiosa - até porque, fui com o livro ao banheiro -, tô me esforçando ao máximo para perder determinados preconceitos e encarar as narrativas como senão literárias, filosóficas, e disso estou-me fazendo valer. E muito.

Resta agora agradecer ao Vieira. Mais um mandou ler a bíblia. E mais um fez conseguir que lesse.

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quarta-feira, dezembro 19, 2007

viva o território brasileiro

UNIDADE TERRITORIAL DO BRASIL I ~ Do Reino Unido ao Primeiro Reinado

Nunca houve na história do Brasil uma elite nacionalista. Nem no tempo do Getúlio. Uma elite nacionalista como havia na Alemanha nazista, na França revolucionária, em Portugal da Revolução de Avis, nunca houve. Ora, se a elite brasileira não é patriota, por que as elites regionais não extimularam seus processos separatistas, por que deixou (já que sempre foi a elite que navegou o país para onde ela queria) as diferenças cultural, física, política e econômico-regionalistas de lado e não fragmentou o país em mil pedacinhos, por que o interesse da zelite de deixar o país como é?

Para se falar de Unidade Territorial, tem-se que pensar em Brasil como nação formada, o que só acontece com a elevação da colônia a Reino Unido a Portugal em 1815, quando o Brasil deixa de ser um território mercantilistamente dependete e passa a ser uma Nação. E junto com uma nação vem um povo, uma cultura.

Por ser Dão João VI o poder centralizador, todas as instituições estavam ligadas à monarquia portuguesa. O Rei criou no Rio de Janeiro um aparato administrativo, uma máquina de Estado, à qual deveriam estar subordinadas todas as outras províncias, o que não dava margem para separatismo.

Eis que Dão Pedro I lança mão da Independência do Brasil em 1808. Na época do Império, é fácil entender a Unidade. O poder centralizador dado ao Imperador pela Constituição, os governadores das Províncias eram nomeados, pouca probabilidade de subversões.

Mas bem na época da Independência, a coisa muda um pouco de figura. Ainda que inteiramente centralizadora, houve províncias descontentes com a idéia da Independências. Províncias do Norte e Nordeste mais ligadas à Portugal do que ao Rio de Janeiro. E essas províncias não vão ficar quietas. Bahia, Pará, Maranhão e Cisplatina foram e fizeram sua guerrinha. O que de nada adiantou, que por alguma habilidade política que lhe veio com o sangue, Dão Pedro (ou seria José Bonifácio - o homem por trás de tudo?) conseguiu conter os ânimos e reintegrar a nação.

Depois - para os cabelos brancos do Imperador - os nordestinos se organizam na Confederação do Equador contra o poder centralizador da Monarquia e a Constituição de 1824, outorgada, aquela história toda... Foram arrasados pelas tropas imperiais. A brutalidade com que o Império investiu contra os confederados contribuiu suficientemente para abdicação do imperador.

E, com a abdicação, o mocinho-Pedro-II de 5 anos não podia governar, Regências. Disputa pelo poder, o caos se instaura. Os 9 anos de Regência foram os mais sangrentos da História brasileira. E, agradecemos ao sangue derramado, porque se alguma vez a nação correu sério risco de se fragmentar, a hora foi justamente essa.

(Segurando audiência. Até o próximo capítulo.)

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